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Reflexões sobre o individualismo contemporâneo à luz da Antropologia Britânica

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Imagem da internet Pensar sobre a alteridade, seja em termos antropológicos ou do senso comum, é sempre algo que gera controvérsia. Hoje, no clímax do individualismo, parece a muitos, sobretudo aos que não estão inseridos nas discussões das ciências sociais, que a individualidade é algo dado, natural, que sempre existiu e que sempre teve sua legitimidade e possibilidade de ação nos grupos sociais. Em seu início pós-evolucionista, pensando em grandes nomes do estruturalismo e do funcionalismo como Durkheim, Radcliffe-Brown, etc., a antropologia concebia os indivíduos apenas como partes de um todo, que se eleva acima destes e que não se reduz a sua mera soma. As análises antropológicas eram feitas a partir do isolamento de povos ditos “primitivos”, buscando entender em sua estrutura a dinâmica que os mantinha funcionando, levando em conta que possuíam regras e normas específicas, que precisavam ser entendidas em suas particularidades. Os antropólogos da escola de Chicago deram co...

Pequeno Resumo - Marx - Ideologia Alemã - Alguns ponto importantes

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Para Hegel, o sujeito da história é a razão universal e os homens, suas consciências, o meio através do qual a razão se manifesta e realiza seu objetivo final, que é a liberdade. A liberdade se torna possível mediante a figura do Estado; o Estado é a realização da liberdade. Os conceitos, as idéias dominantes de cada época são os estágios da consciência na descoberta e realização de si.  Para Marx acontece o inverso. Como é possível perceber no trecho que segue, os homens produzem a sua realidade, ainda que não compreendam exatamente como e em que direção. É através de sua realidade material, de suas necessidades para a existência, do modo de produção em que satisfazem essas necessidades e os condicionamentos sociais a que estão sujeitos independentemente de sua vontade, de que se deve partir para compreender o curso da história. p. 93 -94 – Ideologia Alemã. “ O fato é, portanto, o seguinte: indivíduos determinados ( em determinadas relações de produção), que são a...

Quentin Skinner - O Príncipe de Maquiavel e a “arte” de governar

O Príncipe de Maquiavel e a “arte” de governar Na sua célebre obra, O Príncipe, Maquiavel pretendia, sobretudo, ensinar como manter um Estado. As armas e os homens são os dois grandes temas sobre os quais o autor desenvolve seus argumentos e conselhos. (p. 57) É o que mostra Quentin Skinner em O Conselheiro dos Príncipes. Como deixa explícito em sua dedicatória, o Maquiavel almejava oferecer aos Medici, família que havia conquistado o poder de Florença, uma prova de sua lealdade e ajudá-los a manter o novo principado. Para isso escreveu, principalmente, conselhos para um principado novo e procurou deixar claro que era um homem um grande conhecedor no assunto. Para justificar seu foco em principados novos,  argumenta que os governos hereditários enfrentariam menos dificuldades e, por isso, precisariam menos de seus conselhos (p. 42). Ele enfatiza que o principado que necessita de conselhos mais urgentes por parte e um especialista são os que chegaram ao poder através da ...

As formas elementares da vida religiosa - Durkheim

Na obra Formas Elementares da Vida Religiosa, o sociólogo Émile Durkheim busca entender e explicar a realidade atual e parte das formas religiosas mais antigas, das tribos totêmicas australianas, pois entende que elas são as mais adequadas para fazer entender a “natureza religiosa” do homem; um “aspecto essencial e permanente da humanidade”. (p. IV) Durkheim considera que não existem religiões falsas ou inferiores. Todas elas possuem a mesma função e correspondem, mesmo que de forma diversa à própria existência social dos homens. Quer examinar, portanto, o que é a religião de uma maneira geral, não de maneira dialética, sem limitar-se a analisar a idéia que fazemos da religião e sem comparar as religiões já complexificadas, buscando representações fundamentais; pois é muito difícil distinguir nestas religiões o “secundário do principal e o essencial do acessório”. (p. X) Em sociedades em que há menor desenvolvimento de reflexões individuais, menor quantidade de pessoas, isto é, pr...

Cap 17. Algumas formas primitivas de classificação - Durkheim e Mauss

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Cap 17. Algumas formas primitivas de classificação - Conhecido como o pai da sociologia, Émile Durkheim tinha como preocupação criar uma nova ciência, aos moldes das ciências naturais, mas com um método específico que respeitasse as peculiaridades de seu objeto. Bastante influenciado pelo positivismo comteano, o autor acreditava ser possível apreender os fenômenos sociais de maneira objetiva, através de dados empíricos. Para isso teve como pretensão estudar a sociedade externamente, como “coisa”, pois via na sociedade uma entidade sui generis, que possui sua própria natureza, não se tratando de uma mera soma de indivíduos. Ele estudou o social pelo social, isto é, tentou entender a sociedade partindo da própria sociedade, além de, partindo do mais simples, explicar os fenômenos mais complexos. Em sua obra Formas Elementares da Vida Religiosa , por exemplo, ele busca entender no totemismo, a forma religiosa mais antiga e simples, as causas possíveis dos fenômenos que ocorrem na...

Dois conceitos de liberdade – Isaiah Belin

Dois conceitos de liberdade – Isaiah Belin Resenhado por Mariana Donati Valle  Os estudos sobre teoria política e social nascem e prosperam na discórdia. É o que diz Isaiah Berlin ao se debruçar sobre os conceitos de liberdade “positiva” e “negativa”. Na introdução de Dois conceitos de liberdade o autor anuncia sua proposta de reflexão sobre o poder das idéias e o entrelaçamento indissolúvel da política com outras formas de investigação filosófica, alertando para as crenças políticas primitivas e irrefletidas. Além disso pretende nos fazer refletir sobre a importância de compreendermos as questões dominantes de nosso mundo, em especial “ a maior dessas questões”: a guerra aberta entre dois sistemas de idéias que tentam responder à questão central da política – a questão da obediência e da coerção – de maneira oposta e conflitante. A liberdade é elogiada por quase todo moralista da história, porém este termo possui muitos sentidos ao longo da história e o autor se detém a ape...

As Estruturas Elementares do Parentesco - Lévi Strauss

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As Estruturas Elementares do Parentesco - Lévi Strauss     O antropologo francês Lévi Strauss não se limitou a tentar entender o que estava dado no mundo empiricamente, ele acreditava haver uma lógica formal por trás das estruturas de parentesco e no estudo apresentado aqui, busca a lógica que orienta as diversas regras de casamento entre os povos "primitivos". Para isso parte da proibição do incesto, de caráter ambíguo e "pré-social", não pretendendo encontrar sua explicação nas "configurações históricas", mas nas "causas profundas e onipresentes que fazem com que, em todas as sociedades e em todas as épocas, exista uma regulamentação das relações entre os sexos " (p. 61). No capítulo I, Natureza e Cultura, o autor aborda as diversas lacunas e inconsistências dos conceitos de Natureza e Cultura e as dificuldade na tentativa de estabelecer um limite definido entre eles, isto é, não há "significação histórica aceitável" para...